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O Embaixador Li Jinzhang publicou artigo sobre Fricções Comerciais
2018/07/16

No dia 15 de julho de 2018, o Embaixador Li Jinzhang publicou no jornal Folha de São Paulo o artigo intitulado " Bullying comercial não vai funcionar". Veja a íntegra do texto completo.

Para o espanto mundial, os Estados Unidos começaram a "atirar" aleatoriamente contra as principais economias numa guerra comercial. Poucos dias atrás, "puxaram o gatilho" contra a China ao impor uma sobretaxa de 25% sobre produtos chineses no valor de US$ 34 bilhões, e deram início à maior batalha comercial na história econômica. No dia 10, os EUA anunciaram uma lista de produtos chineses de US$ 200 bilhões sujeitos a sobretasa de 10%. A China foi obrigada a contra-atacar ao anunciar a aplicação de medidas equivalentes sobre as importações norte-americanas.

A medida arbitrária de Washington viola as regras da OMC, desafia o multilateralismo e o livre comércio e prejudica a recuperação da economia mundial. Segundo a previsão da Standard & Poor's, se todas as ameaças de sobretaxação de Washington forem implementadas, o crescimento econômico mundial cairá em 1 porcento. Na lista dos produtos chineses sobretaxados pelos EUA, cerca de US$ 20 bilhões são produtos fabricados por empresas estrangeiras na China, a maioria norte-americanas. Ou seja, a guerra comercial contra a China é também um tiro no próprio pé dos EUA, além de pôr em causa as cadeias mundiais de produção e de valores.

Perante a intimidação, a China toma múltiplas medidas não apenas para se proteger, como também para defender o processo da globalização. A China é a segunda economia do mundo e o maior parceiro comercial dos Estados Unidos. Se Beijing ceder ao bullying e adotar a política de apaziguamento, Washington não só buscará mais vantagens da China, como terá ainda menos inibição no trato com outros países. A China responderá à arbitrariedade norte-americana com paciência e firmeza, conclamando que os EUA mudem o curso de sua política.

Diante do desafio antiglobalização, a China vai ampliar ainda mais sua abertura, em vez de fechar as suas portas. Estima-se que a China vai importar mais de US$ 24 trilhões em mercadorias nos próximos 15 anos. Dias atrás, o governo chinês lançou as Diretrizes para a Ampliação das Importações e a Promoção do Crescimento Equilibrado do Comércio Exterior, com medidas proativas para expandir as importações e construir uma agenda de abertura abrangente. Em novembro próximo, a primeira Feira Internacional de Importação da China vai oferecer maior acesso ao mercado chinês. Na qualidade de convidado de honra, o Brasil vai incrementar a visibilidade e o embarque de seus produtos com vantagem comparativa. A China vai aplicar o conceito chinês de abertura e benefício mútuo para contrabalançear a política "America First", e junto com os outros países, servir como estabilizador do sistema multilateral de comércio e defensor do novo processo de globalização.

Neste ano se comemora o 40º aniversário da Reforma e Abertura da China. Ao longo das últimas quatro décadas, apesar dos inúmeros desafios, a China sempre foi capaz de transformar a pressão em motivação, converter riscos em oportunidades e manter um ritmo acelerado do desenvolvimento. Para enfrentar as restrições na área de alta tecnologia e calúnias de "roubo de propriedade intelectual", a China vai promover o desenvolvimento baseado em inovação com maior determinação. Com mais de 80 milhões de cientistas e 170 milhões de profissionais qualificados, um investimento em pesquisa e desenvolvimento que representa 2% do seu PIB, e o rigoroso marco regulatório no campo de propriedade intelectual, a China está imprimindo maior qualidade no seu crescimento, e dando novo impulso à prosperidade compartilhada do mundo.

"A união faz a força". China e Brasil, sendo duas importantes economias emergentes, compartilham preocupações semelhantes quanto à manutenção do sistema multilateral comercial e multilateralismo. O nosso interesse comun em manter uma economia mundial mais aberta irá nos unir ainda mais perante a guerra comercial.

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